era um modo de vida!
Seu relacionamento era baseado em devoção e uma afeição apaixonada,
igual as quais nem todo mundo
tem a sorte de experimentar.
O vovô e a vovó ficavam de mãos
dadas sempre que podiam.
Roubavam beijos um do outro, sempre
que se batiam um contra outro,
naquela cozinha tão pequena.
Eles conseguiam terminar a frase
incompleta do outro, e todo dia
resolviam juntos, as palavras
cruzadas do jornal.
Minha avó cochichava para mim,
dizendo o quanto meu avô era bonito,
como ele havia se tornado um velho
bonito e charmoso, e ela se gabava
de dizer que sabia como pegar os
namorados mais bonitos.
Antes de cada refeição eles se
reverenciavam, e davam graças a
Deus, e bençãos aos presentes por
sermos uma família maravilhosa,
para continuarmos sempre
unidos e com boa sorte.
Mas uma nuvem escura surgiu na
vida de meus avós: minha avó
tinha câncer de mama.
A doença tinha primeiro aparecido
dez anos antes.
Como sempre, vovô estava com
ela a cada momento.
Ele a confortava no quarto amarelo
deles, que ele havia pintado dessa
cor para que ela ficasse sempre
rodeada da luz do sol, mesmo
quando ela não tivesse
forças para sair.
O câncer agora estava, de novo,
atacando seu corpo.
Com a ajuda de uma bengala e a
mão firme do meu avô, eles iam
à igreja toda manhã.
E minha avó foi ficando cada vez
mais fraca, até que, finalmente, ela
não mais podia sair de casa.
Por algum tempo, meu avô resolveu
ir à igreja sozinho, rezando a Deus
para zelar por sua esposa.
E então, o que todos nós temíamos aconteceu:vovó partiu...
"Neoqeav" foi gravada em amarelo,
nas fitas cor-de-rosa dos buquês
de flores, do funeral da vovó.
Quando os amigos começaram a ir
embora, minhas tias, tios, primos
e outras pessoas da família se
juntaram e ficaram ao redor
da vovó pela última vez.